Blog
O que tem na caixa de JJ Abrams?

Quem me conhece (ou me acompanha pelo Twitter) sabe que Lost e Fringe estão entre minhas séries favoritas há um bom tempo. Recentemente, comecei a assistir Alias — é, a série é de 2001, mas só comecei agora — e essas três têm algo em comum: a “magic box” de JJ Abrams.
Já cheguei a dizer que Fringe é essencial para entender Lost, já que os assuntos ‘coisas sem explicação’, ‘viagem no tempo’, ‘realidade paralela’ e aquele nó na cabeça depois de cada episódio são a alma de ambas. Não só delas, como também do filme StarTrek — obra recente de JJ como produtor. Alguns podem ver isso como uma “assinatura”, outros como uma zona segura que ele encontrou, mas, de qualquer forma, as marcas vão um pouco além desses assuntos.
Don’t tell me what I can’t do

A ideia desse post começou com uma cena. Todos que assistem Lost estão familiarizados com a frase “Don’t tell me what I can’t do” e, assistindo Alias, vejo o próprio Terry O’Quinn falando: “That’s exactly what I can do.” Até aí tudo bem, pois é uma frase comum… Mas tem mais!
Greatest Hits vs. Almost Thirty Years

No episódio “Greatest Hits”, a cena [*spoiler Lost S03E21] em que Charlie avisa Desmond sobre o cargueiro é bem semelhante (e igualmente tensa) à de Sidney [*spoiler Alias S01E22] olhando Michael ser levado pela água. Para completar, Desmond e Sidney tentam salvar seus amigos batendo com um extintor de incêndio contra o vidro, enquanto os aprisionados fazem sinais com as mãos. Só faltou o Michael escrever algo na mão. [/spoiler] [/spoiler]
Memórias da infância
[*spoiler Fringe S01 e Alias S02] Olivia Dunham descobriu que, quando criança, fazia parte de um experimento com a colaboração de Walter Bishop, seu atual colega de trabalho. Da mesma forma, Sydney Bristow recuperou a memória de infância lembrando que, quando criança, fazia parte de um experimento com a colaboração de seu próprio pai e… atual colega de trabalho. As histórias levam a entender que ambas são agentes (do FBI e CIA, respectivamente) como consequência desse treinamento precoce. [/spoiler]
Indo mais longe, [*spoiler Lost S05 e S06] na quinta temporada de Lost ficamos sabendo que Jacob acompanhou os passos de seus candidatos, visitando Sawyer e Kate ainda quando crianças. As diferenças da realidade paralela — possivelmente sem a mesma presença de Jacob — também levam a crer que essas aparições influenciaram nas escolhas dos personagens para chegarem onde chegaram. [/spoiler]
Bikini girls with machine guns

Olivia está para Fringe, Sydney está para Alias e, mesmo que Lost não tenha apenas um personagem principal, Kate pode cumprir o papel: mulheres lindas, independentes, de forte presença, iniciativa e (muito) confusas. Praticamente super-heroínas que seguem o lema do “pé na porta, tapa na cara.”
Vale lembrar que, logo nos primeiros momentos de Alias [*spoiler Alias S01 e Fringe S01], o noivo de Sydney é assassinado. O que acontece com o “namorado” da Olivia no primeiro episódio? Morreu. [/spoiler]
Felicity — mais uma de JJ — tem sua protagonista feminina de importância, mas não chega a estar na gategoria “machine guns”. É uma série que (ainda?) não assisti, então confirmem pra mim… Alguém viu a Felicity correndo por aí armada atrás de alguém? :P
Conheço esse cara de algum lugar
“Esse cara não é o Parkman?” É a reação mais comum de quem está assistindo à primeira temporada de Lost [*spoiler Lost S01], quando mostram o piloto do avião. [/spoiler] O nome do sujeito é Greg Grunberg, ele é mais conhecido como Parkman (de Heroes), e é amigo de infância de Abrams. Mais que isso, deve ter salvado a pele do produtor mais de uma vez, porque está por todos os cantos. Na Wikipedia, fizeram uma tabela para contar as aparições dos atores figurinhas de suas obras e, na ordem, Greg apareceu em Felicity, Alias, Lost, What About Brian, Missão Impossível III e StarTrek.
Jennifer Garner foi de Felicity para Alias. Terry O’Quinn foi de Alias para Lost (e espero que continue como figurinha). Lance Reddick foi de Lost para Fringe. Leonard Nimoy foi de Fringe para StarTrek, de novo.
Além dos atores, alguns nomes também são repetidos, como Charlie, Michael, John, Walter (Walt!), Ben, Boone, Sayid, Aaron e até Jacob.
Os cientistas… excêntricos

Marshall Flinkman, de Alias, é um daqueles personagens que rouba a atenção em todas as cenas. Quando ele precisa apresentar um novo gadget para os agentes da SD-6, é garantia de boas risadas com seu jeito geek agressivo.
Lost também conta com um cientista de destaque, pois mesmo com poucas aparições, Dr. Marvin Candle é um dos personagens mais famosos dos mistérios da ilha com seus vídeos de orientação Dharma.
Ainda assim, nenhum dos dois supera Dr. Walter Bishop. Adoro a Olivia e todos os mistérios de Fringe, mas reconheço que o Walter segura a série de uma forma incrível! Quem não ri toda vez que aparece aquela vaca em seu laboratório, ou quando ele pensa em comida durante os momentos nojentos, ou faz os comentários mais inapropriados? Mesmo que o tema de Fringe não faça muito seu estilo, vale a pena assistir só pra ver John Noble em um dos papéis mais geniais da TV americana.
The only thing better than a cow is a human. Unless you need milk… Then you really need a cow. — Walter Bishop
Referências bíblicas
Poucos notam esses detalhes, mas eles vão dos nomes dos personagens aos títulos dos episódios. Em Lost, Christian Shepard é um nome comum, mas também quer dizer “pastor cristão”, enquanto Dr. Bishop é “Doutor Bispo”.
Desde o lado religioso dos personagens Charlie e Mr. Eko [*spoiler Lost S02], envolvendo a construção de uma capela e o batismo de Aaron; Ou à Bíblia encontrada na estação The Arrow, que continha uma parte do vídeo de orientação Dharma.[/spoiler]
No episódio “316” [*spoiler Lost S05E06], Ben fala sobre uma obra de Caravaggio — The Incredulity of Saint Thomas — e conta a história de São Tomé, o Incrédulo. O curioso é que o número 316 não diz respeito apenas ao avião da Ajira, como à passagem bíblica “3:16 John”. [/spoiler] Fora toda a referência à história de Esaú e Jacó.
Para concluir
Ainda poderia falar sobre outras repetições, como os problemas entre pais e filhos — levado até para o StarTrek —, entre mães e filhas, e até a fixação por acidentes de avião.
Cenas como a de ‘Greatest Hits’ podem ser vistas como cópias, modelos prontos ou simples homenagens a outras histórias. Pessoalmente, adoro as produções do JJ Abrams, principalmente pelos mistérios e easter eggs que tornam as séries muito mais atrativas. Aliás, já teve até passagem da Oceanic Air aparecendo em Fringe… Queria ver mais ligações entre elas!
• • •
Como sempre, peço que vocês comentem e acrescentem ao post. Gostam do JJ? Notaram mais alguma semelhança ou referência do tipo? Quero saber! :)
Voce esqueceu de dizer que a Kate Austen “matou” o seu namoradinho, na fuga da polícia!
Bem lembrado!! Acho que deixei passar por não ser contado de forma linear, mas encaixa no padrão também…
Ótimo artigo, parabéns! ALIAS é fantástico, JJ vive se reciclando.
Gostei muito desta comparação das séries. Acompanho LOST, e também gosto muito de Alias, só falta Fringe que um dos próximos da lista. JJ Abrams sempre surpreende
Muito legais as comparações que você fez. Realmente as séries do JJ tem várias coisas em comum, tanto que eu também escrevi sobre suas características algum tempo atrás: http://serialcookies.wordpress.com/2010/01/21/o-mundo-de-j-j-abrams/
Parabéns pelo post!
Ah, você também lembrou da morte antes da Kate chegar na ilha… Eu perdi essa enquanto escrevia. Gostei do post! :)
Não está diretamente ligado com J.J., mas no primeiro episódio de FlashForward aparece um outdoor da Oceanic. Vc viu?
Vi sim e o primeiro episódio de FlashForward me prometeu muito! Pena que depois dele foi uma decepção total, hehe…
O unico problema é que eu acho q JJ Abrams só escreveu o piloto de Lost, portanto 316, morte de Charlie, mr.Eko etc são coincidencias neh(pelo menos eu acho), ou pelo fato dos roteiristas de Lost terem as mesmas características e acompanharem o trabalho de JJ. E pra cientista excentrico cairia melhor Faraday do que o Pierre Chang né… =D
A equipe dele costuma ter figurinhas repetidas também, mas o produtor (ainda mais no caso de JJ) tem MUITA influência no decorrer da série… Não fica só a critério dos roteiristas. :)
Boa lembrança do Fareday! Mas acho que ele não rouba tanto a cena como esses três aí de cima… Não acha?
:D
[oq respondi no tweeter]: Faltou os números!! JJ tem fixação com números “mágicos”. Os bad numbers (ou a soma 108) de lost e 73 em ALIAS (era essa a página secreta de Rambaldi, né?)
Então os boatos de que o fim de Lost pode estar escondido em Star Trek podem ser verdadeiros! OMG!
Laricota, AMEY tua resenha!! Adorei a comparação das séries, e te chamo de atrasadinha pq só começou a ver ALIAS agora… eu era viciada em Sidney Bristow! No fim da série comecei a achar mais fraca, mas de qualquer maneira, sempre foi uma série boa.
beijosss,
massa
Quero mais blog da Lariiiiiiii! =D
Parei de ver Fringe por falta de tempo, mas pretendo retomá-la assim que possível. Na filosofia já fiz paralelos entre paradoxos típicos (como viagens no tempo e o cara que volta ao passado e mata seu futuro pai…) e as implicações teóricas das teorias da física quântica e relativista.
Nesse sentido, LOST é um prato cheio… cheio de filósofos (Locke, Rousseau, Hume), cheio de paradoxos!
Enfim, ótimo texto Larissa!
Tudo o que você citou é a fórmula que o JJ usa para desenvolver suas tramas. Bem dinâmico, curto muito. E ele finaliza(assina)com um ponto sem nó. Sempre. O reflexo disso é que o assunto é recriado entre os espectadores milhares de vezes depois! O cara não é bobo…
tem o “slusho” aquela bebida do Dr. Bishop tipo uma “raspadinha de gelo” q também está em tudo que é produçao do j.j. haha mto bom! HAHA (pelo que li é um produto que está em todas do bad robot…)
http://www.slusho.jp/
Mutio bacan a materia! Vou ter q assisitir Fringe agora! E talvez matar a saudade de Lost! Alias tbm, Terry O’Quinn é o cara!!!
Faltou a frase que pra mim melhor resume o estilo de JJ, e que é dita em Lost (penúltimo episódio) e em Fringe:
Mais Respostas só levam a mais perguntas.
Na verdade, em ALIAS, a fixação era com o número 47…
Felicity não pega em armas na série mas em Missão Impossível 3
http://www.sobrecarga.com.br/images/news0805/mi3.jpg
E falando em Felicity. Tem um episódio, não lembro a temporada, que é uma homenagem a Além da Imaginação. A personagem Megan, vivida por Amanda Foreman figurinha bem conhecida de tudo o que o JJ faz tem uma caixa de sapato e nunca deixa ninguém ver o que tem dentro. Neste episódio finalmente ficamos sabendo que ela possui todos os personagens da série vivendo dentro da caixa, é um episódio bem maluco, todo em preto e branco que me mostrou pela primeira vez que JJ Abrams tinha muito mais coisa pra contar além de Felicity.
Acabei de lembrar de uma semelhança entre Felicity e Lost mas é spoiler e dos grandes!
Sem revelar muito se trata de dois personagens quem tem a mesma morte, aliás as cenas são praticamente iguais.
Concordo, Walter Bishop é um dos personagens mais geniais e complexos que já foram criados! J.J. Abrams é o cara!! É um visionário