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Devaneios: meu sobrinho também faz bolo

Este não é um texto sobre confeitaria.

Bolo feito para a série LOST

Já vi muitas comparações e metáforas para explicar e discutir o termo “design”. Num momento onde até tirar sobrancelhas ganha esse nome, pensei em chutar o balde, viajar no fondant e falar sobre bolos! Mas atenção: enquanto minhas habilidades gastronômicas existem unicamente na área de degustação, este post não é sobre bolos.

Para que serve

A função principal de um bolo é alimentar. Porém, como ninguém aqui vive de pão e água, ele também é um objeto de decoração e celebração de ocasiões especiais, oferecido pelo anfitrião a seus convidados.

Como ou onde preparar

Chiquinha

Os fãs de Chaves sabem que fazer um bolo pode ser bem mais difícil do que aparenta, mas indo a qualquer mercado próximo a sua casa, você consegue um pacotinho mágico com instruções para fazer seu próprio bolo. O Google também está cheio de receitas em texto, fotos e vídeos para guiar na tarefa faça-você-mesmo. Não há garantia que ele fique gostoso ou apetitoso, mas no fim das contas não deixa de ser um bolo.

Também não é difícil encontrar bolos prontos. Nos mercados, hipermercados, na tia da esquina que gosta de cozinhar, nas mãos da mamãe ou da vovó, e até nas confeitarias mais finas da cidade. Eles estão por toda parte!

Pra contrariar a popularidade e facilidade da tarefa, vou citar o primeiro reality show do post: Top Chef. Em mais de uma temporada vi os chefs reclamando das tarefas de bolos e doces, dizendo que nunca fizeram um na vida! Não basta ser chef, tem que ter especialidade para encarar a responsabilidade de fazer o item centro-das-atenções do cardápio. Então como contratar um(a) boleiro(a)? Ver se ele(a) tem diploma, conferir o portfolio, seguir a indicação de um amigo, copiar o do vizinho, abrir uma concorrência ou simplesmente visitar os lugares e degustar um pedaço de amostra-grátis?

Quanto custa

Um pacotinho de bolo pré-pronto pode custar pouco mais de R$1. Entre um bolo de padaria para o cafézinho da tarde e um de aniversário que uma tia da esquina faz, de R$4 a R$60. Nas confeitarias mais finas você pode acabar pagando uns R$400 ou mais! E no Ace of Cakes você entra numa lista de espera e espera por um valor maior ainda. Bolos de todos os preços… Então qual seria o motivo que leva alguém a pagar R$400 e não R$4?

O valor (e forma) do bolo também depende dos convidados! É para a família comer em volta da mesa, para crianças enlouquecidas, para gordinhos exigentes, chefs renomados, empresários pomposos ou socialites de regime?

O bolo é um item necessário para certas ocasiões, como aniversários e casamentos: se todos servem, você precisa servir também, como convenção social. Você pode pagar mais para ter seu sabor favorito, que só um confeiteiro sabe fazer. Pode também buscar status para surpreender os convidados e dizer que fulano-de-tal fez o seu precioso bolo. Encomendar o maior bolo para todos saírem de barriga cheia, ou o mais bonito para saírem comentando a respeito.

A forma

Bolo meu-amor

Normalmente os bolos são quadrados, redondos e, às vezes, montados em andares. Dependendo do gosto do freguês, a decoração pode ir desde uma foto estampada na superfície (chique meu-amor, como diria a Sra. Jovem Nerd), ou com detalhes em glacê em sua borda.

Quem aí já assistiu o programa Ace of Cakes, no Fox Life? Lá o diferencial é a forma, pois fojem do convencional fazendo bolos de carros, castelos, aviões, caça-níqueis, caixa de charutos, bichos e até orelhas humanas. A reação costuma ser um “eu quero um igual, eu quero um também!”, mas os episódios deveriam exibir mensagens de “atenção: não tente isso em casa” pois muita comida será desperdiçada e você pode virar piada entre os amiguinhos.

O lado positivo é que o bolo ganha ainda mais pontos como parte decorativa da ocasião, e pode inclusive contar uma história por trás de tanto fondant — aquela pasta colorida usada para cobrir a massa. Mas nem tudo são flores… Vendo de longe é uma coisa, mas olhando de perto, nem sempre os detalhes são caprichados e aí começam a aparecer as gambiarras!

Os sabores

Um bolo de nozes. Ou chocolate. Talves nozes com chocolate branco e cerejas. Um bolo orgânico. Cenoura? É, literalmente, a gosto do freguês.

Entretanto, como comentei acima, o Ace of Cakes é um exemplo de que nem sempre o sabor importa. Esquecendo aquela função básica de alimentar, o programa raramente mostra alguém comendo os bolos e, quando isso acontece, é uma massa padrão com um recheio branco dentro. Algumas de suas obras nem bolo tem! Eles têm a opção de aplicar o tal fondant em cima de espuma. Um bolo que é bonito, mas não é nem comestível, deixa a pergunta: o que vale mais, forma ou conteúdo?

Os prazos

Se o confeiteiro é famoso, você não vai conseguir um bolo para o dia seguinte, nem que seja só um bolinho simples. Não adianta apontar uma arma e exigir que o bolo fique pronto, pois o máximo que você terá é um resultado mal feito e convidados com dor de barriga.

No caso de sabores específicos, é sempre bom provar antes de servir. No caso de formas ousadas, é preciso um certo planejamento para que tudo não venha abaixo antes da degustação. Ainda assim, imagino o número de pedidos “pra ontem” que os confeiteiros recebem e tentam cumprir, mesmo sabendo que… vai dar m*r*a.

Na cozinha

Chef Ramsay

Como diz um amigo meu, cozinha de restaurante é igual passado de ex-namorada: se você quiser continuar frequentando, melhor não conhecer.

Quando você assiste a um programa desses, baseado na realidade de uma confeitaria, vê que os caras fazem tudo sem luvas, lambem o dedo, deixam a franja balançando em cima da massa, coçam a orelha e falam loucamente enquanto decoram a encomenda. Imaginem o Sheldon com aqueles tiques nervosos calculando quantos germes estão presentes na comida, hehe!

A massa ninguém sabe de onde veio, pois nunca vi uma cozinha aparecer em episódio algum. É tudo já pronto para ser decorado e sabe-se lá quem misturou os ingredientes. São as confeitarias terceirizando a produção. No transporte, o bolo vai solto na traseira de uma van sem refrigeração, mas o cliente não precisa ficar sabendo dessa parte.

E por falar em “não ficar sabendo”, lembram quando a Dona Florinda pediu para o Chaves comprar um bolo pronto, colocar no forno e mentir que foi ela quem fez? Isso acontece mais do que você imagina, mas melhor nem citar alguns nomes de confeiteiros que levam a fama do trabalho dos outros, né? :P

Como comer

A usabilidade do bolo! Sim, pois não adianta você ter uma ideia genial, fazer o bolo mais ousado da vizinhança e, na hora de cortar o primeiro pedaço ver tudo desabando. Já vi os caras do Ace of Cakes fazerem uma moto de bolo e estou até agora pensando em como os convidados foram servidos. No meio da “arte”, tinha madeira, prego, cola, e assisti até outros casos com canudinho de plástico, espuma, papelão, arame, cano PVC, etc.

Ace of Cakes

Quantos convidados vocês chamaram? A maioria dos bolos não-convencionais são bem pequenos e têm mais pasta de decoração que massa. Para não deixar ninguém com fome, o costume é mostrar o bolo bonito e, depois, servir quadradinhos genéricos para os presentes na ocasião.

Outro detalhe importante é saber onde seu bolo ficará. Comida embaixo de sol só vai contribuir para a dor de barriga alheia, enquanto embaixo do ar condicionado pode fazer uma camada de chocolate explodir… Ou não. E com o que vão comer: com garfo, guardanapo, na mão, em pratinhos de papel ou em aparelhos de porcelana na festa dos Pires Cavalcanti?

O “problema” não é o Ace of Cakes. Pelo contrário, pois adoro assistir a esse reality e outros do tipo, como o Cake Boss, e acho ótimo sair do convencional. A questão, na verdade, é a pergunta: que tipo de bolo você precisa? Ou ainda, que tipo de bolo você faz? Encontre seu confeiteiro ideal e seja feliz. Lá vem a frase do homem de novo:

“Design is not just what it looks like and feels like.
Design is how it works.”

Não sei se alguém, além de mim, vai entender esse post. Mas consegui citar a palavra “bolo” 38 vezes sem realmente falar sobre bolos; E fazer cinco referências a Chaves sem realmente falar sobre Chaves. E o mais importante: citar a palavra “design” quatro vezes (contando com essa) para realmente falar de design. Ok, agora cinco vezes. ;-)

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