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Mudando de assunto, mas sem deixar a peteca cair

No clima das Olimpíadas

Judô - Olimpíadas 2012

Já disse que neste cantinho do site eu posso trazer assuntos bem variados. Desta vez, não é tecnologia, nem séries de TV, nem filmes. É sobre esporte, em meio a todo o burburinho das Olimpíadas 2012, em Londres.

O tal do badminton

Pra quem não está acompanhando, vou contar o que aconteceu na disputa do badminton. Duas chinesas, duas indonésias e quatro sul-coreanas formavam as quatro duplas a disputar a boa e velha peteca, anteontem, 31 de julho. Elas já estavam classificadas para as quartas de final, mas queriam cair numa posição mais favorável dentro da chave da competição. Com isso em mente, as chinesas começaram a perder o jogo de propósito e as demais duplas acabaram seguindo a estratégia.

Badminton - Olimpíadas 2012

Parece até exagero, mas vendo as competições em questão fica clara a intenção de perder, com direito a jogar a petequinha direto na rede, atirar longe da quadra, defender de lado (quase olhando pra trás) e coisas assim, vergonhosas de assistir.

O público vaiou, o juiz chamou a atenção, mas ninguém ali sentiu vergonha suficiente pra mudar de ideia e lembrar o motivo de estarem ali, nas Olimpíadas.

O vôlei de anos atrás

Não tem como não lembrar do Mundial de vôlei de 2010, quando a seleção masculina brasileira também perdeu de propósito para cair com um adversário mais fácil. O time que sempre fez bonito nas quadras, estava com time reserva, jogando de qualquer jeito, sem esforço para defender nem atacar, e resultou num 3 a 0 para o adversário, a Bulgária. A torcida vaiou e virou de costas em protesto, enquanto a imprensa internacional destacou a participação vergonhosa do nosso país.

“Não sei por que todo mundo está pegando a gente como Jesus na cruz, querendo crucificar o Brasil. Todo mundo fez isso. A Rússia declarou isso claro. […] Com certeza é uma mancha negra na minha carreira.”

nas palavras de Giba.

Não sei quanto a vocês, mas eu, que sempre gostei de vôlei e admirei a seleção brasileira, passei a ver aquele time de um outro jeito. Culpar o técnico, os jogadores ou seja lá quem for é irrelevante: todos estavam ali participando e/ou assistindo a própria equipe fazendo corpo mole.

Muitos viram a situação como uma estratégia válida, já que o objetivo é ganhar, e esquecem da falta de respeito com o público presente, com o público que estava assistindo em casa, com o time adversário e, é claro, com os times que queriam estar ali, mas não foram classificados.

Saindo do esporte, imagine que você quer muito trabalhar numa empresa, e o cara que conseguiu a vaga está falhando de propósito para ser despedido e ir para um cargo ainda melhor.

Londres, 2012

Esporte é baseado em competição, mas sempre com o respeito ao adversário! O famoso “espírito esportivo” é aplicado nas mais diversas situações — sejam esportivas, profissionais, pessoais,… — e é claro que ganha um peso ainda maior quando falamos de um… esporte. É claro que não precisa dar beijinho e chamar de ‘meu amor’, só que respeito e ‘vergonha na cara’ são posturas benquistas (e esperadas), seja qual for a nação, e até em meio a uma luta.

A Federação (com apoio do Comitê Olímpico Internacional) não hesitou em expulsar as oito jogadoras. E enquanto Indonésia e Coreia do Sul questionaram a decisão, a China reconheceu o péssimo comportamento, instruindo as esportistas e a equipe a pedirem desculpas pelo ocorrido.

A húngara no judô

Abigel Joo, judóca húngara, machucou a perna com um golpe da adversária, a americana Kayla Harrison. Mesmo sem conseguir colocar o pé no chão e visivelmente com muita dor, a húngara continuou na disputa até ser atingida mais uma vez pela americana. Mesmo mancando e com as caretas de dor, Abigel retornou para enfrentar a polonesa Daria Pogorzelec.

A surpresa? Ela ganhou.

Judô - Olimpíadas 2012

[Queria saber o nome dos fotógrafos destas imagens tão incríveis, mas elas se multiplicam mais rápido que Gremlins na chuva!]

E levou a judóca polonesa pro chão num — não, eu não entendo nada de judô, mas não tem como negar que foi um… — golpe lindíssimo! E pra deixar a ideia do “espírito esportivo” ainda mais presente, a adversária Daria Pogorzelec não atacou a perna machucada nenhuma vez durante a luta. Ambas foram muito aplaudidas, envolvendo um público muito maior que o dos dois países envolvidos na disputa.

Melhor que isso só se tivesse o golpe da garça pro pessoal coroar o exemplo. Abigel Joo não levou medalha este ano, mas retornou novamente para enfrentar a francesa que acabou ganhando o bronze. Foi aplaudida novamente.

Pra completar a história, foi uma frase do comentarista da SporTV durante a luta entre Hungria e Polônia que me motivou a escrever sobre este assunto aqui no blog. Não vou lembrar as palavras exatas para transcrever aqui, mas no meio da frase (propositalmente ou não) ele citou:

“Buscando a medalha sem deixar a peteca cair!”

Num ano em que atletas estão sendo expulsos por conta comentários racistas contra seus oponentes, em redes sociais — coisa que até quatro anos atrás não era tão presente —, essa expressão nunca fez tanto sentido como hoje.

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